Era um dia nublado e abafado. Doutora Rosângela Friburgo lia distraidamente seu jornal quando foi interrompida pela campainha.
domingo, 6 de maio de 2012
O Santuário - Parte I
Era um dia nublado e abafado. Doutora Rosângela Friburgo lia distraidamente seu jornal quando foi interrompida pela campainha.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Um sonho de memória alterada
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| Noite estrelada - Vincent van Gogh |
As estrelas tem cor do gosto da água fria.
Sinestesia.
Da crista de uma onda de vapor inebriante posso ver o estrondo das ideias se liquefazendo e correndo em cascata pelos meus ouvidos.
Tudo é amarelo-ouro e alguns poucos grunhidos.
Palavras desconexas passeiam despreocupadamente por um deserto rosa e vermelho, pouco interessadas em se fazerem entender.
Uma árvore escura contra o céu de estrelas repassa toda a sabedoria humana para quem puder o acaso compreender.
Todas as perguntas para todas as respostas de todas as perguntas sapateiam graciosamente no salão de festas do meu cérebro, lutando ferozmente para saírem todas juntas, de uma só vez.
O som então se perde no labirinto confuso da cabeça ébria e trava na garganta, veste um esvoaçante manto de fumaça e mostra toda a completude do mundo em sua mísera pequenez.
...
Em um sonho de memória alterada encontrei os sentidos universais do cosmos e do que poderia vir a ser Deus.
No momento em que acordei, porém, tudo era cinza e fogo e eu não fazia mais ideia de quem eram os filisteus.
quarta-feira, 28 de março de 2012
Etecéteras
Um oceano de mudanças espreita, as ferramentas estão todas aqui.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Breve Consideração Sobre A Criação Divina
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| Espirro Divino fotografado pela Consciência Primordial da Entidade Equivalente Oposta de Deus auto-denominada J. S. Curtis. |
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Poema Rimado E Sem Conteúdo
Letrinhas miúdas agarradas,
frases pseudo-elaboradas,
rimas muito mal amarradas.
Ímpeto da escrita,
vontade que grita,
criatividade que hesita.
Misturo as letras, então,
sem que sejam sim nem não,
só para satisfazer a Inspiração.
Escrevo palavras jogadas,
com fita-crepe coladas,
num turbilhão liquidificadas.
Escrava da palavra escrita,
mesmo que esta se repita,
devo escrevê-la, de qualquer fita.
E jogadas no papelão,
tendo saído todas desta mão-contramão,
são minhas e delas, mais delas, sem comparação.
(Daqueles dias em que a Inspiração comparece e impõe respeito, mas a Criatividade está emburrada do outro lado da sala porque perdeu do Subconsciente três partidas seguidas de dominó)
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Série Sonhos Bizarros: As Pessoas-Bolhas, os Gigantes e a Dança do Fim do Sonho
Eis que meu subconsciente ataca novamente.
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| Mini-pessoas-bolha em uma festa de casamento |
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| Dança Mística Para O Fim Da História |
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Tutorial De Como Matar Uma Mariposa Gigante
— Thi... Aquilo ali é uma barata ou uma borboleta? — perguntei, temendo a resposta.
Como todos bem sabem, eu tenho um certo, hum, como poderia dizer?, receio de borboletas.
Na verdade, não é bem um receio.
É medo, mesmo.
Pavor.
E não tem explicação nenhuma pra isso, exceto que minha avó também tem.
Já me disseram que, de acordo com a psicanálise, pode ser que esse meu pé atrás em relação às borboletas (escrever aqui “meu pavor de” seria mais correto, mas faria com que me sentisse idiota, então, deixa pra lá) e qualquer coisa que voe de maneira geral seja porque eu tenho inveja da liberdade que esses animais têm por poderem voar.
Talvez.
Mas se voar for mesmo só uma questão de errar o chão, então...
Ah, deixa pra lá.
Voltando ao que aconteceu.
— Thi... Aquilo ali é uma barata ou uma borboleta?
— Acho que é uma borboleta... ai, não, acho que é uma mariposa!
Foi o tempo de processar a palavra “mariposa” e ligar o nome ao bicho que os dois corajosos urbaninhos puseram-se de pé num pulo e foram refugiar-se no extremo oposto da sala, quase que atrás da mesa.
— E agora? Você vai matar? — perguntei, em meu desespero crescente.
— Matar isso aí? Ai. Tem SBP? Ai.
Bom ter um namorado que tem tanto medo de mariposa quanto eu.
Lá foi a garota do cabelo roxo desbotado em busca da salvação e do alívio que se materializavam em um vidro de SBP.
— Olha, tá aqui. E o pano. — eu disse, entregando-lhe as armas, assumindo uma expressão de “eu confio que você vai voltar vivo” digna de esposa de soldado em véspera de batalha e tratando de sair rapidinho dali.
Pobre Thiago. Foi-se chegando de mansinho ali perto da janela, entrincheirando-se atrás do sofá, as armas em punho, uma expressão de determinação no rosto. Engatilhou o vidro de SBP e disparou uma, duas, três vezes, dando um passo para trás a cada vez que a mariposa esboçava qualquer sinal de tentar se mexer.
— Ô Thi... acho que você tem que espirrar mais em cima dela, não? — balbuciei do meu esconderijo na cozinha.
— Tô tentando!! — disse ele, e espirrou uma quarta vez. Oh, céus. Para quê. E não foi que a mariposa maldita resolveu levantar vôo?
Não deu nem uns três segundos e eu já estava escondida atrás da porta da lavanderia, com um cachorro poddle preto com cara de sono a me observar desaprovadoramente e um sentimento nada propício de que não deveria ter deixado meu pobre namorado lutando sozinho com aquele monstro.
Cadê sua coragem, Carolina!
Juntei minhas forças, ou o que sobrara delas, e voltei para o campo de batalha.
— Thi?
— É melhor você ficar aí. Ela tava voando; agora tá pendurada no sofá.
— Ai. Vou tentar abrir a porta pra ela sair!
Brilhante idéia, Carolina. Brilhante. Como você pretendia fazer aquilo sem passar por aquele monstro mutante?
Mas lá fui eu, exemplo da coragem feminina, pulando a qualquer tremida de asas da mariposa, abrir a porta. E consegui sair ilesa da missão, vivas para mim! Entretanto, quem não quis entrar na brincadeira foi a mariposa. Lá ela continuou, pousada no sofá, parece que zombando das nossas tentativas frustradas de fazê-la ir embora.
— Taca mais SBP! — eu disse.
Acabamos com o vidro de SBP; nada. Busquei outro. No que o Thiago abriu o frasco aquele demônio alado, talvez prevendo outra tentativa homicida da nossa parte, abriu suas enormes asas negras e amareladas e partiu para cima do coitado.
— AH! AHHH! ELA TÁ ME ATACANDO!!!
— AAAAHHHHH!!!!
Corremos para a cozinha. De lá, observávamos a astúcia da mariposa, voando calmamente pela sala. Depois de algum tempo, ela se escondeu em baixo da mesa.
— É agora! — eu disse — Mais SBP!
Espirramos mais SBP naquela mutação genética, que começou a se debater freneticamente. Esboçou mais algumas tentativas de vôo, frustradas pelo veneno, e pôs-se a cambalear pelo chão da sala.
— Ah, agora fica mais fácil, né? — eu disse.
— É, né... — respondeu o Thiago, e ficou me olhando — Mas ela ainda tá fugindo.
Depois de algumas tentativas frustradas de tiro ao alvo com meus chinelos, eis que Thiago teve a brilhante idéia de jogar o pano em cima da mariposa.
— Você joga — falei.
E ele jogou. Acertou em cheio as asonas pretas e nojentas da mariposa.
E lá ficou, aquele monstro diabólico e perverso, debatendo-se debaixo do pano de chão sujo.
— Você vai pegar a bichinha? — perguntei, suplicante, mas já sabendo a resposta.
— Há. De jeito nenhum. Deixa ela aí!
Mas eu não podia deixá-la ali.
Ela se debatia, o pano mexia, começava a me dar uma agonia danada de ver a agonia da pobrezinha.
Sim, ela era um monstro vindo direto do inferno, mas, ainda assim, a hora da morte de qualquer ser vivo deve ser respeitada.
E foi por isso, por piedade, que eu não tive dúvidas e pisei em cima do pano. Uma, duas, três vezes. Dancei um sapateado romeno em cima da bicha, até ter certeza de que ela não iria se mexer mais.
— Pronto. Agora você pega? — perguntei.
— Eu, heim!! — respondeu Thiago se afastando.
Então, como não havia mais jeito, fiz eu o trabalho sujo de me livrar do corpo. Deitei-o no jardim, com pano e tudo, da maneira mais rápida e limpa que pude encontrar.
E foi assim que se deu a batalha épica de dois urbaninhos guerreiros e extremamente corajosos com um terrível monstro alado saído direto dos últimos círculos do inferno.
Por favor, crianças, não tentem isso em casa. Um negócio desses pode causar danos psicológicos irreversíveis...
E fim.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Ira Divina
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| Jennifer Coll |
Com a estratégica jogada dupla de encarnar no mundo terreno assumindo o papel de seu próprio filho, tornando-se ele mesmo três e um ao mesmo tempo, acumulando assim poder e maleabilidade, e de associar-se deliberadamente a populações tipicamente expansionistas, possibilitando que a crença em si fosse disseminada por várias partes do mundo, Jeová conseguiu, no decorrer dos últimos milênios, vencer quase que absolutamente a batalha divina por fiéis.
Obviamente, esta vitória de Jeová - ou do Deus-Com-Letra-Maiúscula - não é reconhecida por nenhum outro deus. Deuses são, por excelência, egocêntricos e arrogantes e todos os que sobreviveram ao esquecimento, especialmente os que foram rebaixados à categoria de Mitos, ainda hoje buscam de algum jeito iniciar uma revanche. Dizem que o mais rancoroso de todos ainda é Thor, Senhor dos Trovões e proprietário da lendária Marreta Mjölnir, que nunca se conformou com o fato da barba de Jeová ser muito mais adorada do que a sua.
A pobre Jennifer Coll, senhora tranquila, fiel do Deus-Com-Letra-Maiúscula, foi apenas mais uma vítima destes inescrupulosos seres.
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| Thor, prestes a jogar sua marreta em Jennifer: "Minha barba é muito melhor do que a dele, bitch!" |
...
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Tosse, tosse, tosse

quinta-feira, 17 de novembro de 2011
O Caos (ou Pensamentos Sobre o Pensar)
No princípio havia um ser pensante, surgido talvez de seu próprio pensamento, que não sabia de sua própria existência e não pensava em nada.domingo, 6 de novembro de 2011
Série Sonhos Bizarros: O Planeta Muito Próximo Do Sol E As Terríveis Bestas Aladas
Eu estava em um foguete espacial em órbita de algum planeta muito próximo de uma estrela muito quente e muito brilhante. Estava quente, absurdamente quente, e as tubulações de ar começavam a derreter. Eu e a tripulação – um homem que se parecia muito com o meu pai, uma garota que poderia ser alguma das minhas duas irmãs ou nenhuma delas e o Spock – precisávamos dar um jeito de pousar a nave em segurança na base que o Império Humano havia construído naquele planeta. Lá haveria ar fresco e bolinhos de chuva para todos.
Depois de algumas manobras conseguimos chegar até a base. Sãos e salvos, mas sem os prometidos bolinhos de chuva, fomos recebidos pelo Major Guia que fora indicado para o posto para resgatar possíveis náufragos espaciais.
O planeta era muito próximo do sol daquele sistema, por isso era quente, apesar da atmosfera ser muito parecida com a da Terra, e só era possível perambular pela superfície durante a noite. Só que, à noite, as terríveis Bestas Aladas, animais nativos parecidos com ptedotáctilos, saíam para caçar. Era muito perigoso. Mas eu queria porque queria passear naquele lugar. Era a primeira vez que eu estava em um planeta diferente da Terra, porra, não podia perder a oportunidade.
O Major Guia me disse que durante o crepúsculo também era possível sair da base, e as Bestas Aladas ainda estariam dormindo, mas eu precisava voltar antes de escurecer por completo. Aquele planeta tinha duas luas que estariam cheias e eu me tornaria um alvo muito fácil.
- Carne humana se tornou uma iguaria entre as Bestas Aladas – ele me confidenciou.
Ao anoitecer eu saí da base. O Major Guia me acompanhou, primeiro à pé, e depois, num salto de imaginação onírica, montado em um bicho do tamanho de um cavalo que era uma mistura de dinossauro bípede com galinha d’Angola. No meio do passeio eu percebi que a gravidade do planeta era diferente, e resolvi tentar voar. Dei três pulinhos – tipo aqueles que a gente dava no jogo do Mario para Nintendo 64 quando ele usava o bonezinho com asas para que ele voasse, lembra? – e comecei a voar. O Major Guia disse que era melhor eu não voar acima das nuvens, porque era onde as Bestas Aladas costumavam ficar.
Só que quando ele disse isso eu já não estava mais ouvindo.
Voei acima das nuvens num céu cor-de-laranja e azul-marinho, a brisa com cheiro de pêssego batendo no rosto e despenteando meus cabelos, toda empolgada porque estava voando sem asas num planeta diferente.
- E dessa vez é de verdade! Nem é sonho!
E então as Bestas Aladas surgiram. Primeiro como sombras nas nuvens, depois como dentes afiados vindo em minha direção.
- Eu te avisei! – disse o Major Guia dando um salto com seu cavalo-dinossauro-galinha e virando ele também uma Besta Alada.
Tentei fugir das feras dando cambalhotas, mas elas estavam muito perto de mim, agora.
- Porra. Alegria de pobre dura pouco, mesmo – pensei.
E acordei. Provavelmente porque fui comida por uma das Bestas Aladas e, como ser digerida pelo estômago de um dinossauro alienígena nunca esteve nos meus planos, meu inconsciente achou melhor me acordar.
...
Acho que ando assistindo muito Doctor Who.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Gostosuras ou Travessuras?
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Apocalipse Zumbi

terça-feira, 25 de outubro de 2011
Baile de Máscaras


segunda-feira, 24 de outubro de 2011
A Ladra Do Bastão Defumador Do Deus Das Borboletas.
- Hã? Onde? - responde em polvorosa a Amarelinha.








