Em uma tarde ensolarada, um Gato e sua Cartola resolveram sair para um passeio vespertino.
De mãos dadas, observando a Dança da Chuva das Gaivotas em frente ao Monumento Nacional dos Berguelotes, perceberam finalmente o quão mundano o mundo é.
Voltaram para casa às cinco em ponto, batendo o ponto dos cinco condes desfigurados que viriam para tomar chá de boldo e espanando as últimas metafísicas poeirentas do busto do Rei Salomão.
Enquanto comiam bolinhos de limão com açúcar e bebiam cogumelos doces, surgiu o assunto que tanto os afligia:
— Já reparou em como o nosso jardim anda preto e branco?
— perguntou a Cartola, acendendo um cigarro.
— Ora essa, eu pensei que andassem com muletas — respondeu o Gato, erguendo uma sobrancelha
— Você não engessou ou girassóis e as violetas na semana passada?
— Engessei
— respondeu a Cartola, soprando pequenos anéis coloridos de fumaça
— Acontece que eles perderam a cor.
— Sim — disse o Gato, bebendo um gole de seu chá pensativamente — Pelo menos as flores sem cor têm perfume.
Silêncio.
— O que será que pensa uma borboleta preta?
...
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terça-feira, 12 de junho de 2012
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Manskaoosin: Re-criação
Eis que das profundezas obscuras do Castelo de Cartas Marcadas surge uma figura encapuzada e empoeirada.
Misturando-se à neblina espessa, disforme, toda panos e sombras, a figura ergue-se vagarosamente, revelando estatura imponente e assustando os pequenos momeraths que procuravam biscoitos de polvilho entre as árvores do Bem e do Mal.
Aproximou-se cautelosa das três velas cor de carmim, única iluminação naquela terra de sombras, estalando os ossos e as juntas enferrujadas dos anos sem uso.
Espreguiçou-se e bocejou, fazendo a chama daquelas pequenas fontes luminosas portáteis tremeluzir fracamente.
Num movimento brusco, tirou a capa cinzenta que a encobria e soprou vigorosamente as velas escarlates.
O mundo fez-se escuridão.
E então, da boca daquela figura outrora encapuzada, uma bola cintilante mais brilhante que o próprio Sol surgiu, elevando-se majestosamente para o Céu e ali fixando-se, tal qual pai de todas as coisas viventes sob a luz.
Agora aquele mundo viveria outra vez.
A figura outrora encapuzada ergueu as mãos para cima em adoração e tirou os cabelos cor de arco-íris do rosto. Possuía uma tez translúcida e enormes olhos violetas. Ela abriu seus lábios azulados, respirou profundamente e disse:
- E aê, negada! Sou eu! A Inspiração! Cadê todo mundo? Cadê o champanhe, a cerveja e o vinho? Acabamos de re-inaugurar um mundo onde tudo é possível desde que você não entre em pânico, precisamos MUITO beber até cair!
***
Bem-vindos a Manskaoosin!
Chave de palavras:
boas-vindas,
Inspiração,
Manskaoosin
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